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  • Dra. Luísi Rabaioli

Por que a COVID afeta o olfato?

Estima-se que 80% das pessoas com COVID-19 apresentem algum distúrbio do olfato durante a doença aguda ou mesmo após alguns meses da infecção.


As alterações mais freqüentes envolvendo o paladar são a anosmia (perda completa do olfato), hiposmia ou microsmia (redução do olfato), parosmia (percepção incorreta dos odores) ou fantosmia (percepção de odores inexistentes, geralmente desagradáveis). Também podem ocorrer disgeusia ou ageusia (distorção ou perda do paladar, respectivamente) ou alterações na quimestesia (a capacidade de sentir irritantes químicos, como pimenta e mentol).


Um mistério é saber exatamente como o novo coronavírus é capaz de afetar esses sentidos.


No início da pandemia, pesquisadores acreditavam que teria relação com a chegada do vírus ao cérebro através dos neurônios olfativos do nariz, capazes de detectar os odores e transmiti-los ao cérebro, onde poderia causar prejuízos graves e duradouros.


Porém, a maior parte dos estudos posteriores têm mostrado que não é esse o caso, e que a agressão está localizada possivelmente no epitélio nasal, ou seja, o tapete que recobre o nariz. Há evidências de que o vírus ataque as células de suporte e células-tronco e não os neurônios diretamente, o que não significa que os neurônios também não possam ser afetados.


Os neurônios olfatórios não possuem receptores da "Enzima Conversora de Angiotensina 2 (ACE2)", que irão permitir a entrada do vírus nas células, já as células de suporte sim. Essas células de suporte são responsáveis pelo delicado equilíbrio dos íons de sal no muco nasal, do qual os neurônios dependem para enviar sinais ao cérebro. Se esse equilíbrio for interrompido, pode levar ao desligamento dessa sinalização e, portanto, do cheiro.


As células de suporte também fornecem apoio aos cílios, estruturas semelhantes a dedos, localizados nos neurônios olfatórios e onde se localizam receptores que detectam os odores: se os cílios são prejudicados, sua capacidade de cheirar também será.


Entretanto, não está bem claro se todas essas alterações ocorrem pelo próprio vírus ou pela ação do sistema imunológico em resposta à agressão viral.


Em relação às alterações do paladar, as células receptoras que detectam substâncias químicas na saliva e enviam sinais para o cérebro, não contêm os receptores ACE2, então provavelmente não são infectadas diretamente pelo SARS-CoV-2. Porém, outras células de suporte na língua carregam esse receptor e podem ser afetadas. Outra explicação mito possível é que as alterações do paladar também estejam relacionadas com alterações do olfato, já que os odores são um componente importante do sabor.


Além disso, a perda da sensibilidade química, como a ardência provocada pela pimenta ou a refrescância da menta, e que são enviadas por outro nervo craniano, chamado de trigêmeo, também permanece pouco explicada.


Decorrido um ano, já temos algumas explicações mas ainda temos muito a compreender sobre o impacto do SARS-COV-2. A cada semana, surgem novos estudos e pesquisadores do mundo inteiro estão em busca de respostas e tratamentos efetivos para amenizar esses danos.


Por isso, casso apresente alguma dessas seqüelas, evite ficar esperando a recuperação espontânea: se após 14 dias o problema persistir, procure um otorrino!


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